Ainda no início do século XIX, Freud identificou na cultura uma das fontes do sofrimento humano. As demandas culturais mudaram muito desde então, mas a cultura continua a ser propulsora de sofrimento. Mas de que forma isso acontece e como isso se relaciona com o sofrimento feminino?
A cultura embasada no capitalismo coloca em evidência ideais de juventude e beleza, impossíveis de serem alcançados. Esses ideais se proliferam nos meios de comunicação, principalmente nas redes sociais. O ambiente virtual tem se tornado um meio bastante eficiente para promover a ditadura da beleza, disseminando de modo persuasivo ideais de juventude e do corpo magro, muitas vezes sob o disfarce da promoção de saúde. É crescente o número de blogueiras fitness que exteriorizam uma vida perfeitamente saudável e totalmente livre de angústia ou mal-estar. Mais comum do que se possa imaginar, esses blogs são seguidos por pessoas com transtornos alimentares e percepção da imagem corporal.
O intuito é impulsionar o consumo, mas o capitalismo deixa de ser apenas uma questão monetária à medida que toca as subjetividades. Imagens do que é eleito como belo e perfeito, cercam nosso cotidiano, seduzindo nossos olhares e fazendo emergir distintos afetos, pois as imagens que não mostram falhas contribuem para um imaginário idealizado e inalcançável.
A influência exercida pelos padrões de beleza que se mostram nas redes sociais atualmente, pode intensificar a insatisfação do sujeito consigo mesmo, e induzir o sofrimento das mulheres que tentam se encaixar nesses modelos de perfeição puramente imaginados.
Muitas mulheres podem não ter consciência do quanto sua saúde psíquica é afetada quando a mídia e a cultura induzem o consumo desenfreado por produtos e procedimentos relacionados ao campo da beleza. Nesse cenário, que impacta muito o imaginário feminino, a baixa autoestima, a sensação de frustração e inferioridade podem ser uma consequência das comparações realizadas entre si e os padrões estéticos disseminados, sendo importante buscar ajuda profissional.
Por Márcia Costa