A maternidade nem sempre vem acompanhada de alegrias intensas. Nem todas as mulheres se identificam com a sensação de completude, tão estruturalmente vinculada à maternidade. A ambivalência comum a todas as formas de amar pode se tornar mais contundente nesse momento. Ocorre uma mudança subjetiva de posição, da mulher que até então era filha e passa a ser mãe.
Mesmo as mulheres que planejaram sua gestação podem se surpreender no pós-parto. Os sentimentos contraditórios aqueles que, nós mulheres, estamos acostumadas a ouvir sobre o tornar-se mãe.
A maternidade de modo geral é bastante romantizada, o que implica na divulgação apenas dos pontos positivos. Isso pode causar frustração para aquelas mães que não conseguem se sentir tão conectadas quanto gostariam, ao papel materno.
Junto com o bebê, nasce para a mulher, uma possibilidade outra de estar no mundo. Mais responsabilidades lhe são atribuídas, justamente quando é ela quem mais precisa de amparo. Logo, a mudança na rotina, o peso da responsabilidade, o medo de cometer erros, aliados ao impacto das alterações hormonais, podem impulsionar o sofrimento psíquico.
Além disso, muitas mulheres, por não se sentirem plenamente felizes, podem se sentir culpadas. Isso dificulta ainda mais o processo de se apropriar do lugar materno, com todos os seus “amores e dissabores”.
Se você está enfrentando esse momento, saiba que é indispensável buscar ajuda profissional para atravessar essa fase, em especial nos primeiros meses, que costumam ser os mais desafiadores.
Escrito por Márcia Costa.
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