Tenho uma trajetória dedicada à escuta clínica, com formação continuada em psicanálise, e atuo como analista em constante aprimoramento.
Moro fora do Brasil desde 2007, o que me permitiu viver na pele a complexa experiência da migração: a separação da família de origem, o distanciamento das minhas raízes culturais e a necessidade de me reconstruir em outra língua, em outro tempo, com outros códigos. Essa vivência não apenas me transformou como pessoa, mas também enriqueceu profundamente meu modo de escutar o outro.
Sei o que é sentir saudade da comida de casa, das ruas da infância, dos amigos que ficaram, dos abraços possíveis só quando a família está por perto. Sei o que é ser mulher em um país estrangeiro, aprender a me mover sem rede de apoio, sem ter com quem dividir os cuidados com os filhos nos momentos mais desafiadores. Essa vivência atravessa não só o cotidiano, mas também o modo como escuto o sofrimento de outras mulheres que, assim como eu, lidam com a reconstrução da identidade, com a culpa, com o cansaço e com o desejo de seguir apesar de tudo.
Ser mulher na contemporaneidade é habitar múltiplos lugares ao mesmo tempo — cuidar, trabalhar, resistir, separar-se, recomeçar. É saber lidar com a ausência, com a reinvenção constante, com a solidão e também com a potência de criar novos laços. Em análise, atuo em clínica intercultural e trago escuta para essas experiências marcadas por rupturas e transformações.
Acredito que a escuta analítica pode ser um espaço de elaboração, onde a dor ganha palavra e o sujeito encontra, pouco a pouco, seus próprios caminhos.
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