Emprego, casa, relacionamentos, corpo, infância, animais de companhia, pessoas… A lista é extensa e não para por aqui. No decorrer do processo de lidar com essas perdas, surgem perguntas como:

— Por que, após tanto tempo que perdi aquilo/aquele(a), ainda continuo assim, triste?

— O que está acontecendo comigo, que não consigo voltar a ter uma vida alegre?

— Por que, depois de anos, sinto como se aquela pessoa tivesse partido hoje?

— O que será que se perdeu em mim quando perdi aquela pessoa?

Ou frases como:

— Não consigo entender por que parece ser impossível falar dessa perda sem sentir um aperto no peito.

— Não vejo sentido em uma vida em que ele(a) não esteja aqui.

No luto, há um tempo — que não se sabe quanto dura, pois não se trata de um tempo do relógio. Esse tempo, necessário para construir uma subjetivação dessa perda, é repleto de afetos como: raiva, angústia, tristeza, culpa, amor, ódio, alegria, medo, inveja, vergonha, esperança. Porém, vivemos em uma era de urgências, em que somos privados de usufruir desse tempo. Ao enlutado, dão-se dois dias de “folga”, e espera-se que ele retorne ao seu posto de trabalho em plenas faculdades psíquicas, tão produtivo quanto antes, repleto de disposição e com um sorriso espontâneo.

A análise possibilita a existência desse tempo de luto. A partir dela, o sujeito pode sentir seu sofrimento. Muitas vezes, compreendem-se os afetos chamados “negativos” como algo que deve ser evitado. A Psicanálise vai na contramão dessa concepção e diz: Sinta aquilo que você precisa sentir neste momento. O luto não é algo a ser simplesmente solucionado — como se faz com problemas matemáticos. Pelo contrário, é uma travessia que demanda investigação, exploração e subjetivação. Isso causa dor! Em contrapartida, essa travessia carrega a esperança de que um dia a dor da perda seja experenciada por outras vias além do sofrimento.

O luto é um ato de amor!

Por Clayton Ulisses Silveira