Muito têm se falado sobre uma forma de adoecimento psíquico nomeada como Burnout, uma síndrome caracterizada por falta de motivação, irritabilidade, insônia, ansiedade, lapsos de memória e sensação constante de esgotamento, físico e mental. Essa síndrome está relacionada a um ambiente de trabalho desgastante, mas é preciso refletir quais seriam outras possibilidades de desencadeamento desses sintomas, além da sobrecarga de atividades.
Por ser um ambiente no qual talvez se passe a maior parte do tempo, o ambiente de trabalho é um meio social privilegiado para cada sujeito replicar suas vivências muito primitivas, em relação ao desejo do Outro. Sua forma de se posicionar, de lidar com conflitos, sua facilidade ou impossibilidade de dizer não, forma de agir frente a figuras de autoridade, frustração diante a limitações, necessidade de reconhecimento e tantas outras formas de subjetivação. Além disso, pessoas com padrão elevado de exigência consigo mesmas, podem confundir o seu fazer, com o seu ser, colocando em si, o peso de sempre “acertar” para manter uma determinada imagem.
Para além do tratamento dos sintomas do esgotamento no trabalho é preciso compreender qual o sentido está sendo dado ao trabalho, quais mecanismos psíquicos estão alavancando uma entrega tão grande ao trabalho, capaz de causar adoecimento. Identificar o que representa o trabalho em sua vida, pode ser o primeiro movimento para desenvolver com o ambiente organizacional, uma relação saudável!