O puerpério, pela psicanálise, pode ser entendido como um tempo de reinscrição subjetiva.
Freud, em Luto e melancolia (1917), já demonstrava que toda perda ou mudança significativa exige um trabalho psíquico de elaboração.
O nascimento de um filho implica, para a mulher, não apenas a chegada de um novo ser, mas a perda de uma posição anterior, a de filha, a de mulher, a de um sujeito, que se pensava e desejava fora desse lugar que agora ocupa.
A maternidade, portanto, não é apenas um evento biológico, mas um acontecimento simbólico e inconsciente, em que a mulher é confrontada com o desejo do Outro, com a imagem de “boa mãe” e com o real do corpo, que sangra e produz leite.
A escuta psicanalítica oferece às mulheres um espaço de simbolização e de subjetivação de suas vivências, através da fala de seus sofrimentos, possibilitando que haja abertura para à fala circular no tempo do puerpério.