O desejo é como a abertura na direção de um horizonte.

Não é possível de antemão, saber o que nos espera alhures, além do horizonte. Existe, porém, a possibilidade de alcançar algum infinito. Esta possibilidade instiga, acossa e anima. E isso é bastante coisa.

O que o horizonte, em seu infindável caminho sugere, não é palpável, concreto ou terminável, necessariamente. Ao mesmo tempo, pode ser tanta coisa. É assimilável, porém! O que importa nesse caminho é saber de sua abertura interminável e da disposição em acolher as novas apostas.

Existe algo que se impõe, a nosso próprio despeito. Quase sempre o desejo surpreende. Aquele horizonte não é um lugar para chegar, fincando a bandeira da conquista, como se faz num território.

O território é furado e não permite a sua posse.

Para desejar, subentende-se que a posse foi apreendida com a herança geracional.

O desejo de desejo parece interminável.

Ufa! Sem bandeiras a fincar, sem a menor pretensão de grandes e tão palpáveis conquistas, mas com uma chama forte que me leva adiante naquilo que me é palatável, isso sim, me apetece e me interessa.

Seguir para onde?

Nem sempre sei.

Com quem?

Acredito que es(colho) bem!

Por Beatrice do Valle