Oiê, prazer, sou a Heloíse! Sou psicóloga, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com pós-graduação em “Fundamentos da Psicanálise: Teoria e Clínica” e atualmente pós-graduanda em “Psicanálise, Arte e Literatura”, ambas pelo Instituto ESPE, onde também atuo como monitora. Minha formação continuada acontece na Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano (EPFCL-Brasil). Entre a clínica, a arte e a linguagem, encontrei um mesmo interesse: as diferentes formas pelas quais um sujeito tenta dar destino àquilo que o atravessa.
Há sofrimentos que chegam pela palavra. Outros parecem insistir em uma repetição, atravessar o trabalho, os laços, o amor ou encontrar no corpo um lugar para permanecer. Talvez a questão nunca tenha sido apenas o que nos acontece, mas o que fazemos com aquilo que nos acontece. É essa pergunta que orienta minha escuta e que continua conduzindo meu percurso de formação e pesquisa, iniciado ainda na graduação, quando me dediquei aos estudos sobre saúde mental na contemporaneidade, gênero, sexualidade e Teoria do Narcisismo.
Foi também essa pergunta que encontrei, sob diferentes formas, na clínica. No Hospital do Trabalhador, acompanhando pessoas em sofrimento psíquico relacionado ao trabalho, pude testemunhar como a sobrecarga, o burnout, os conflitos e as perdas produzem marcas singulares em cada história. Na ONG Grupo Dignidade, onde realizo atendimentos clínicos à população LGBTI+, aprendo diariamente que nenhuma identidade é capaz de dizer tudo sobre um sujeito. Há sempre algo que escapa aos nomes que recebemos, escolhemos ou reivindicamos para nós mesmos. São encontros que reafirmam, a cada atendimento, o compromisso de escutar cada história para além de diagnósticos, categorias ou respostas universais.
Hoje, no Ambulatório de Psicossomática do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), essa mesma pergunta retorna de outra forma. O que acontece quando o sofrimento ainda não encontrou palavras? Há momentos em que o corpo parece carregar algo que não pôde ser simbolizado. Não como um código a ser traduzido ou um enigma a ser resolvido, mas como um convite para uma escuta que suporte não saber de imediato, respeitando o tempo e a singularidade de cada sujeito.
Foi também na minha própria experiência de análise que compreendi a escuta como uma arte. Não a arte de interpretar o outro, mas a de acompanhar os caminhos da linguagem, seus silêncios, suas repetições e aquilo que, por vezes, insiste em escapar. Entre a arte e a clínica, aprendi que algumas experiências resistem às explicações, mas ainda assim encontram formas de expressão. Às vezes por uma palavra. Às vezes por um silêncio. Às vezes pelo corpo.
Se você sente que há algo em sua história que continua pedindo um lugar, talvez a análise possa ser esse espaço e será um prazer oferecer essa escuta!