Olá, me chamo Paulo Ricardo. Sou psicólogo clínico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde atualmente também realizo meu mestrado em Psicologia Clínica. Meu desejo de escutar nasce da experiência de reconhecer o quanto falar e ser escutado pode produzir um deslocamento no sofrimento. Há algo que se transforma quando a palavra encontra um lugar onde pode circular livremente, sem a exigência de fazer sentido desde o início.
O sofrimento faz barulho, trazendo notícias de que há algo ali que precisa ser escutado com atenção e cuidado. Frequentemente, nos vemos repetindo certas experiências que insistem em se apresentar, por mais que tentemos evitá-las. Essa repetição, entretanto, nunca é sem sentido. Há algo que fala conosco ali, ainda que não de forma clara. Algo que remete a marcas de uma história que nos atravessa e que, sem encontrar um espaço de escuta, tende apenas a se repetir.
A análise é um convite a escutar essa história que, mesmo silenciada, insiste em se contar. A aposta é que, recontando com atenção essa narrativa, podemos identificar ali quais são os elementos que atravessam cada sujeito. “Quais foram as palavras que me marcaram? Como determinadas expectativas sobre mim me moldaram?” Essas perguntas, quando escutadas com atenção, possibilitam a formação de um saber sobre si e sobre a própria trajetória.
Escutar a própria história e essas marcas que nos atravessam pode abrir a possibilidade de um deslocamento na forma como nos relacionamos com o que nos marcou, permitindo que essa história deixe de apenas se repetir e possa ser contada (e vivida) de outro modo.