Olá, eu sou Isaura Tupiniquim artista e psicanalista e vou falar um pouco da relação entre corpo e psicanálise. Lacan no seminário 20 vai dizer que “o ser, é um corpo”. Nas artes do corpo costumamos dizer que não temos um corpo, mas sim, que nós somos um corpo. O que muda radicalmente a relação que historicamente se estabeleceu sobre o corpo no campo cientifico e social.

Na clínica psicanalítica, a voz, os gestos e a linguagem expressam toda uma teia de afetos e sentidos de um corpo que se constitui entre o pessoal e o extra pessoal, pela relação com o outro e com o contexto social, político e histórico, o que nos leva a pensar que nenhum sofrimento psíquico diz respeito apenas ao indivíduo, mas é também uma resposta aos modos de vida emergentes.

As crises de ansiedade e de pânico, por exemplo, estão intimamente ligadas a uma sociedade capitalista e neoliberal, que incita a aceleração e a alta performance, nenhum corpo suporta uma vida sempre de mais desempenho, sem tempo para experimentar outras qualidades do vivo, de modo que se anestesiam para continuar à serviço desses ideais de ‘eu’ forjado pelas relações de poder.

A psicanálise, assim como as artes, contribui com a possibilidade de elaboração dessas experiências do corpo no mundo, sem simplesmente anestesia-lo. A pessoa em análise vai, no seu tempo, elaborando e criando um corpo cada vez mais à altura do que ela pode, tomando consciência das suas fragilidades e da sua força, ela passa a se posicionar e a fazer escolhas mais alinhadas com seu desejo e com a vida. É com esse entendimento sobre a psicanálise que tenho construído meu corpo e a minha clínica.

por Isaura Tupiniquim