A parentalidade diz respeito à maternidade e à paternidade, que são formas de acolher e cuidar de um novo ser. Mas ela não se reduz apenas às funções biológicas ou práticas: trata-se de uma construção profundamente atravessada pela cultura, pela linguagem e pela história pessoal daquele que cuida.

Existem muitas expectativas e ideais em torno desses papéis, e quem os exerce pode se sentir sobrecarregado(a) com a ideia de “ter que dar conta de tudo” na tentativa de dar conta de tudo.

A parentalidade está ligada ao cuidado, mas também está conectada àquilo que escapa: as memórias, os traumas e as vivências que não foram elaboradas, não foram simbolizadas. É nesse espaço de não-elaboração que a análise pode entrar.
O processo de análise serve para trabalhar aquilo que insiste em voltar e que, quando não elaborado, pode se repetir de forma inconsciente na relação parental.

Afinal, quem cuida também precisa de cuidado.

Letícia Pinto
Psicanalista
CRP-13/14437