Frequentemente recebo pedidos de diagnóstico de pessoas que buscam minha clínica, e minha negativa em dá-los costuma causar grande incômodo. Refletindo sobre isso, acabei por pensar que é possível ler essa situação a partir de uma analogia sobre uma das diferenças entre a fotografia e a filmagem.

O diagnóstico mental, como é frequentemente usado em nossa sociedade hoje, me parece se assemelhar à fotografia: ao ato de eternizar um momento, um pequeno recorte no tempo, um estado das coisas, e tomar aquilo como representação da realidade.

Mas e o movimento? As coisas se movem no mundo em que vivemos. Nada nunca está parado — se o movimento não é físico, é, pelo menos, no tempo. As coisas estão sempre indo à frente, mudando, se transformando, deixando de existir e dando lugar a novas coisas.

Se o interesse daquele que busca uma psicoterapia é não se manter preso no sofrimento que tanto lhe incomoda, não me parece nada estranho deixar o diagnóstico de lado, pois, para a mudança acontecer, é preciso movimento e, para o movimento acontecer, é preciso da ferramenta certa para isso.

E, nesse interesse pelo movimento, a psicoterapia psicanalítica parece encaixar-se como uma luva. Tanto a psicanálise como a filmagem são práticas capazes de trabalhar o movimento das coisas, a dinâmica do que está acontecendo e as mudanças daquilo que está em foco.

Enquanto algumas práticas estão preocupadas em dizer o que uma pessoa é ou deixa de ser, a psicoterapia psicanalítica se interessa na descoberta do que se foi, do que está parado, do que está em movimento e do que mais é possível ser. O horizonte dessa prática é sempre o que está por vir: a mudança.

Por Felipe Schwarz