Números alarmantes de feminicídios são divulgados diariamente nos meios de comunicação. Mesmo para a violência física, tão facilmente identificada, parece não haver recursos legais suficientes para impedi-la. A preocupação com essa temática é crescente, e é preciso encontrar formas de possibilitar às mulheres, uma saída para esses relacionamentos permeados pela violência, antes que não haja mais tempo para isso.
A violência física é apenas uma das modalidades no âmbito da violência doméstica, há outra forma de violência, bem mais sutil, nem sempre percebida, pode emergir disfarçada, sob o pretexto de “cuidados”, estou falando da violência psicológica.
Justamente por não deixar marcas no corpo, esse tipo de violência pode ser subestimado, no entanto seus efeitos são avassaladores na saúde mental da mulher. A conscientização desse tema se faz importante, pois não são raros os casos em que mulheres sofrem, sem se dar conta de que estão sendo vítimas.
O parceiro abusivo apresenta um comportamento controlador, quer definir amizades, roupas, ações, decisões, limitação do direito de ir e vir e constantemente exerce vigilância. Condutas que causam constrangimento, humilhação, desferir insultos, ridicularizar, fazer chantagem, denegrir a imagem da mulher além de distorcer fatos para atribuir culpas à parceira.
Há um estímulo para manter a mulher sempre dependente financeiramente, muitas vezes colocando tantos obstáculos que a mulher desiste de estudar ou de trabalhar. Isso pode ser interpretado como uma forma de cuidado, por parte do parceiro, mas a ideia é manter tudo sob seu controle.
A violência psicológica fica caracterizada por meio dessas condutas que causam desconforto e pelo medo que se presentifica na relação. Uma vítima desse tipo de violência, sente medo na maior parte do tempo, medo da reação do parceiro, e por isso se inibe, na tentativa de evitar conflitos e manter a relação.
Há mulheres que não tem conhecimento desse tema, há mulheres que cultivam a esperança de que o parceiro mude, há mulheres que não sabem o que fazer e outras se mantém presas a um relacionamento abusivo por uma questão de dependência emocional.
Aos poucos a mulher perde seu brilho e ela mesma se questiona sobre sua potencialidade. Podem surgir sintomas característicos de depressão e ansiedade, baixa autoestima, perda de interesse e prazer pela vida, ideias suicidas e sintomas no corpo, insônia, abuso de substâncias, afecções de pele, transtornos alimentares, entre outros.
O primeiro passo para conseguir romper esse ciclo, é identificar e compreender que de fato uma violência está acontecendo. Talvez essa conscientização seja a parte mais difícil, pois há uma tendência a não acreditar no que está acontecendo. Uma vez identificada essa situação, é necessário buscar ajuda profissional, para reverter os danos psíquicos e conseguir se posicionar de um modo diferente na relação.
Por Márcia Costa