Será que o conheces?

O adolescente que dias atrás era a criança que tinha bichos de pelúcia em cima da cama, pedia para dormir no quarto dos pais por ter medo do escuro, agora não quer saber de nada disso. Ele está mudando, mas ao mesmo tempo não consegue entender o que é ser um adolescente e se considera um pouco ainda criança. Nesse momento de transição, de passagem, ele está em busca do reconhecimento e da validação do outro.  

Percebe-se no trabalho com o adolescente que acabou de entrar na adolescência, o quanto ele está confuso e sente que ninguém o entende, muito menos seus pais.  Percebe-se um questionamento constante: “eu já sou mesmo um adolescente? Ou ainda sou uma criança? Por que o outro me vê como adolescente?”.

Tantos questionamentos tornam muito importante para o adolescente o olhar do outro, pois ele se vê pelo olhar desse outro. Muitas vezes ele não suporta o julgamento do outro, seja um amigo ou um colega. Essa transformação da infância para a adolescência é complexa, ele sente que precisa provar para si mesmo e para o outro que é forte e esperto, para não ser ridicularizado ou para não ser visto como o fraco, o coitado etc.

Nesse tempo de crise o trabalho de escuta é importante para o jovem, para ele refletir sobre as mudanças em curso, para experimentar formas de expressão singulares, para falar dos sofrimentos que estão em jogo. A escuta é importante também para os pais, que precisam ser ouvidos em sua perplexidade diante desse filho que já não conhecem, para eles poderem se reposicionar e continuar apoiando o filho, agora neste outro lugar, de pais de adolescente.

Por Claudia Bernardino

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