A adolescência é um tempo de desafios e descobertas, não apenas “uma fase”.
Para Calligaris (2000), a adolescência é uma moratória: o jovem está parcialmente preparado para a vida adulta, entretanto, ainda não pode assumir plenamente responsabilidades emocionais, relacionamentos afetivos mais profundos, decisões sobre seu projeto de vida.
Esse período pode gerar insegurança. O adolescente não é mais criança, porém, ainda não é reconhecido como adulto, o que pode aumentar dúvidas, rebeldias, a busca por espaços próprios.
Hoje, as redes sociais funcionam como um novo “ritual de passagem”. Likes e seguidores se tornam medidas de valor, oferecendo visibilidade e um espaço para se expressar. Ao mesmo tempo, elas intensificam comparações, fragilizam a autoestima, mostram vidas idealizadas, também permitem acesso a conteúdos sensíveis e inadequados sem muitas restrições.
Nesse momento, o papel da família é fundamental. O adolescente precisa ser escutado e reconhecido, para não se perder entre a infância que ficou para trás e a vida adulta que ainda não chegou.
A psicoterapia e a análise oferecem um espaço seguro para que o jovem fale de si, compreenda seus conflitos e encontre caminhos próprios diante das pressões da família, da escola e da cultura.
Por Ray Santos
Referência:
CALLIGARIS, Contardo. A adolescência . São Paulo: Publifolha, 2000.