Algumas inteligências artificiais estão sendo usadas como forma de “psicoterapia”, “terapia”, “análise”. No entanto, é preciso cuidado: saúde mental exige mais do que respostas rápidas e programadas por algoritmos.

A IA não escuta você, visto que opera com padrões e algoritmos, alimentados pela base de dados e também pelas próprias buscas feitas por você na plataforma. Assim, não há escuta, ocorrendo apenas processamento de informações.

A IA não leva em conta o inconsciente, desejo, sintoma. Ela não investiga e nem reconhece a história das palavras que marcam sua vida. A IA lê tudo de forma genérica, pontual, baseada nas informações inseridas no chat.

Na psicanálise, o analista escuta o que você diz e como você diz. Ele lê e marca repetições, escolhas de palavras, silêncios e até faltas nas sessões. A sua fala, na sessão, é dirigida a um outro, em transferência, não a um algoritmo.

Ademais, o analista não busca oferecer soluções prontas. Isso porque a análise implica o sujeito no dito e no dizer, permitindo sua emergência. É um processo que exige tempo cronológico, tempo lógico e presença encarnada desse outro que te escuta.

Assim, ao usar IA, o sujeito é apagado de seu discurso, sua singularidade vira fragmentos em um chat padronizado.

A análise não se programa, uma vez que ela se constrói no laço com o analista.

Por Ray Santos