O desejo é uma aposta.

É do senso comum saber que se deseja aquilo que não se tem. Mas o que o senso comum não responde é se é possível um dia acabar com essa busca. Tem como encontrar o objeto definitivo que irá deixar todos os outros de lado?

Antes de uma resposta, vale mais buscar entender o que é o desejo. O senso comum tem alguma razão, o desejo tem mais a ver com aquilo que não se tem do que com aquilo que se consegue. Assim, o desejo é mais sobre o movimento de ir em busca, do que sobre a fixação no que se encontra.

Não é que não seja possível encontrar algo, é que mesmo nesse encontro o desejo pode continuar. Isso porque o desejo não é DE alguma coisa, o desejo é sempre à alguma coisa que está por vir. Inclusive naquilo que já se tem. No entanto, isso não significa que desejar é querer qualquer coisa, o desejo aponta para uma direção.

A proposta da psicanálise é sustentar esse movimento, em oposição àquilo que permanece estagnado. Mas por que? Pois é justamente assim que essa direção poderá ser percebida e que o sujeito poderá caminhar. Agora não mais permanecer estagnado na mesma coisa, e nem andar para qualquer lado, mas se mover e ser movido por aquilo que lhe causa.

Se por um lado esse desejo que nunca para pode parecer angustiante, mais angustiante é um desejo que parece parar. Parar é deixar de querer, deixar de escolher, deixar de ser. Não tem como parar, mas tem como encontrar um caminho. Como um pescador que joga sua rede ao mar em busca de peixes, o sujeito se lança no mundo em busca daquilo que lhe falta.

O pescador, quando consegue seus peixes, vai embora. O sujeito desejante, pelo contrário, continua lançando sua rede ao mar. O desejo não vai embora.

Bancar o seu desejo é sustentar esse movimento e não deixar de lançar sua rede naquele seu pedaço de mar.

Por Marlon Polak

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