Você já sentiu que a pessoa que você ama é a que você mais conhece no mundo?
E que, de repente, ela age de um jeito que te deixa sem reação? De um jeito que não é aquele que você conhece ou espera, como se, então, ela houvesse mudado sem te dizer nada?
Pode ser difícil, frustrante e, até mesmo, decepcionante. Mais que isso, pode ser a causa de muitos desentendimentos, conflitos e até separações. Por que você não é sempre aquilo que eu espero que você seja?
É comum, ao se relacionar com alguém, supor que se sabe quem o outro é. Muitas vezes, isso ainda se mistura com o próprio sentimento do amor, que é tomado, então, como a compreensão do outro. Se se ama, é porque se sabe quem é o outro.
Mas será que é possível saber tanto assim quem o outro é? Esse amor que acha que conhece tudo pode ser um engano e, paradoxalmente, ao invés de aproximar, afasta o outro de você.
O seu olhar direcionado ao outro observa ele mesmo ou quem você quer que ele seja? Bom, olhar diretamente pode ser difícil, mas deixar de olhar é ainda mais. Isso porque, quem o outro é, virá à tona em algum momento e, sem espaço para essa diferença, o sofrimento é inevitável.
Mais do que sustentar uma imagem do outro, o amor está em aceitar o outro também na parte em que ele não é. Em que ele não é exatamente o ideal que se espera, ou a imagem que se construiu. Amar é poder ver o outro na sua diferença, não ignorá-la. O outro te enganou ou você enganou a si mesmo?
Muitas vezes, não é que o outro muda sem te avisar, é que você não quer olhar para isso que escapa aos seus ideais. Por um tempo, pode parecer uma boa ideia não olhar. Mas, mais cedo ou mais tarde, isso aparece bem na frente dos olhos. É porque não é possível conhecer tudo do outro, sempre haverá aquela parte da diferença.
E não se engane, nem mesmo o outro vai poder se apresentar por completo para você. O outro tem, dentro de si mesmo, um outro, que assim como escapa a você, escapa a ele mesmo. A pergunta, então, é se você quer ver o outro. Poder ver o outro exige coragem.
Não só porque a queda da idealização pode ser dolorosa. Mas também, porque ela coloca em questão bancar a sua própria escolha. Você quer estar com esse outro?
O amor é uma escolha.
Por Marlon Polak