Com a força do tempo e a insistência na experiência, na praxis, as coisas vão ficando cada vez mais limpas e claras. Digo, especialmente, na clínica.
Os ouvidos vão se abrindo e escutando aquilo que interessa, de forma mais decantada ou abstraída de todo blá-blá-blá. Assim, se torna um pouquinho mais certeiro, apontar para o dizer que existe escamoteado nos entremeios do dito.
Sabendo que operamos pela via do discurso, buscamos encontrar a letra. Aquela letra cuja materialidade está além e aquém de todo discurso. Trata-se de uma materialidade que embutida no corpo, é matéria viva e está fora do campo de significações.
Se apontamos para a letra, é na mosca que acertamos. A matéria viva é a mosca, ali, onde estão os nossos restos. Por isso, não devemos comer mosca, mas acertá-la em seu alvo, que é a letra.
A mosca de que se trata aqui, traz na letra a língua que da à luz a uma subjetividade. Cortando o real e produzindo um efeito de verdade, é o sujeito quem cai na mosca, fisga sua letra e busca a construção de um saber a seu próprio respeito.
Trabalhamos com os pequenos detalhes, aqueles quase imperceptíveis. Acertar na mosca (tarefa difícil) é função para artesão. E, seguir construindo um saber a partir daí, é função para os trabalhadores decididos.