No dia a dia da clínica algumas queixas são bastante frequentes e embora não sejam diagnósticos ou nomenclaturas estabelecidas pela psicanálise, elas aparecem no discurso dos pacientes em forma de significantes que vão nos dando indícios de como estes sujeitos estão se nomeando. Alguns dos significantes mais presentes são: Depressão, Luto, Ansiedade, entre outros. Para a psicanálise este conjunto de significantes serão trabalhados de um modo diferente do que à clínica psiquiátrica abordaria já que para nós, analistas, é necessária uma abertura destes significantes para que possamos entender a posição subjetiva dos sujeitos em relação a sí e aos próprios significantes aos quais eles se sentem representados.
Falando um pouco sobre cada um destes sintomas, a Ansiedade refere-se a uma experiência de excesso, algo de um desejo que não foi completamente simbolizado e que surge para a pessoa em um formato de mal-estar. nem sempre se relaciona a um medo real, mas a algo semelhante a um sinal. O sofrimento da ansiedade, muita das vezes reflete-se em algo físico impedindo que a pessoa possa seguir com as atividades do seu dia a dia.
Um outro significante muito presente é o da depressão. A depressão, muitas vezes se apresenta como um esvaziamento do desejo. O sujeito relata cansaço, apatia e perda de sentido, como se algo tivesse sido retirado do mundo e de si mesmo. Podemos pensar a depressão como uma dificuldade de investimento libidinal nos objetos da vida. Uma falta aguda de interesse no mundo frequentemente ligado a perdas e alguns lutos elaborados de um modo precário. Um trabalho psicanalítico possível nestes casos seria o de criar um espaço de escuta onde o sujeito pudesse manifestar seus sofrimentos a fim de elaborar suas perdas e seus medos a fim de que este desejo possa ressurgir e ser novamente direcionado ao mundo.
Por Gustavo Tonatto