Seja por senti-lo ou por se relacionar com alguém que sente, quando o ciúme excessivo se faz presente na relação, a consequência é desgaste e sofrimento.
A maneira romântica de olhar para o ciúme é se referir a ele como “tempero do amor” ou como uma forma de cuidado, mas só quem sente na pele os seus efeitos, sabe que não é bem assim…
Sentir ciúmes não se trata de uma simples insegurança, tão pouco se trata de cuidado com quem se ama, há questões psíquicas mais complexas que desencadeiam essa percepção de que um outro, um terceiro, possui algo que eu não tenho, algo que é mais atrativo e por isso se torna uma ameaça. Uma ameaça que pode chamar a atenção do objeto de amor, e por isso gera medo, medo da perda do amor. Não necessariamente, esse terceiro é uma outra pessoa, pode ser qualquer interesse que o parceiro possua, e que ocupe um lugar em seu desejo. Afinal, o ciumento busca o controle sobre a vida de seu companheiro.
Em 1922, Freud escreveu um texto sobre esse tema e descreveu três tipos de ciúmes, o primeiro deles classificou como competitivo ou normal, que pode emergir de uma ameaça verdadeira, ou imaginária, de perder o amor. O segundo tipo é o ciúme projetado, que decorre do próprio desejo inconsciente de traição, o sistema psíquico para não lidar com isso, projeta no outro, que ele está traindo ou tem o desejo de trair. E o terceiro tipo, o mais complexo, é o ciúme delirante, nesse tipo há uma certeza de traição, ainda que não haja qualquer evidência.
O mecanismo psíquico por trás dos ciúmes, é complexo, tem suas raízes na constituição subjetiva e diz respeito à forma com que cada sujeito lida com a falta. É possível ressignificar o modo de se posicionar nas relações e torná-las saudáveis, mas é preciso falar sobre isso, no lugar adequado, na análise pessoal, porque os motivos que levam uma pessoa a sentir ciúmes precisam ser compreendidos.
As consequências dos ciúmes podem ser graves, para além de brigas e discussões, podem desencadear episódios de violência.
Por Márcia Costa
Referência
Freud. S. (1922). Sobre alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranóia e na homossexualidade. In: Obras Completas. Volume 15. Companhia das Letras.