O luto é uma das experiências mais recorrentes na clínica. Precisamos fazer o luto não apenas de pessoas que faleceram, mas também pela perda de um ideal, de um projeto ou de uma versão de si mesmo sustentada na relação com o Outro. Quando o luto não encontra vias de elaboração ele se prolonga no tempo no tempo e pode impedir o sujeito de estabelecer novas conexões com o mundo, com o presente e com o futuro empobrecendo as experiencias subjetivas de sentido de sí próprio e do mundo.

Talvez um dos temas mais presentes na clínica seja os relacionamentos, não apenas amorosos, mas assuntos relacionados aos contatos com o outro e, conseqüentemente com o Outro. Por aí que este laço irá ser permeado pelas marcas que tivemos nas nossas primeiras relações, as frustrações, os abandonos, a dor de não corresponder ao ideal, o medo de ser abandonado etc. Direcionamos nossos desejos, nossa aposta neste amor do outro. Recebemos de volta este olhar do Outro da nossa fantasia. Que pode tanto estar pronto para nos amar, nos odiar, nos abandonar ou até mesmo todas as versões ao mesmo tempo. Estes pontos mal elaborados, muitas vezes resultam em repetições. Aquele momento em que muita gente constata com um lamento: Mas de novo isso?  As relações humanas estão sempre presas à realidade subjetiva de cada um. Por este motivo a comunicação é sempre falha, já que cada um é capaz de falar e de entender de acordo com aquilo que pode ser entendido e elaborado de sua própria história que é particular, ou seja, subjetiva.  Por este motivo, uma análise nos ajuda a avançar neste ponto. Nos fazendo compreender o que, da relação com este Outro é, de fato, algo real ou fantasiado

A clínica oferece um espaço para que as repetições deste passado possam ser interrogadas, possibilitando ao sujeito deslocar-se de posições de sofrimento cristalizadas. Reconhecer seu papel e sua responsabilidade naquela repetição que tanto faz sofrer. este reconhecimento e esta implicação possibilita um giro no modo como este sujeito irá lidar com o Outro. Por Gustavo Tonatto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *