O que cala, fica. O que não se diz não desaparece. Fica. No corpo, na pele, no gesto repetido. Aquilo que não se nomeia, muitas vezes, retorna como sintoma. O não-dito não se vinga por punição, mas por insistência: repete-se, infiltra-se, retorna.
Na análise, não se busca a resposta certa, mas a pergunta que atravessa. Aquela que ainda não se sabia estar sendo feita.
A escuta analítica se ocupa justamente do que escapa, do que se diz sem querer dizer, do que escorrega entre palavras e silêncios. Falar, nesse espaço, é perder um pouco: a imagem ideal de si, as certezas, a repetição da mesma narrativa. Mas é também ganhar um lugar novo diante do próprio desejo.
Porque aquilo que devora em silêncio pode, enfim, se transformar no que move, desde que se diga, ao menos um pouco.
Por Evelyn Megalde
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