Na psicanálise, o desejo não é um plano de metas que você decide racionalmente. Ele é uma bussola oculta. Não se encontra olhando o que você tem, mas o que te falta. O desejo possui características fundamentais, que explicam por que é tão difícil localizá-lo.
Para a psicanálise, o desejo é inconsciente, você não o encontra pensando logicamente, mas sim prestando atenção nos seus sonhos, atos falhos e no que se repete na sua vida. O desejo humano nunca se satisfaz plenamente, ele se desloca de um objeto para outro.
O desejo no final das contas nunca está aí desvendado. Tudo se passa nos diferentes escalões da revelação desse desejo. Nossa obra está sempre inacabada, é preciso insistir, é preciso abrir mão da urgência, pois a vida é movimento. O desejo é exigente. O que lhe acontece tem a ver com sua Ação.
O paciente descobre o que deseja ao experimentar, falar e analisar os efeitos de suas escolhas. É o ato que nomeia o desejo.
Descobrir o próprio desejo exige coragem para suportar a falta e abrir mão do papel de vítima, não existe um manual. O desejo não se descobre pensando, ele se revela enquanto você viver, falar e bancar suas escolhas. O psicanalista, instiga o analisante a extrair de si próprio o “ouro”. Algo que se dá numa atenção de curadoria, para que ele desenvolva suas próprias ferramentas de seu saber- fazer ali com o sintoma. Um psicanalista não deve ser quem traz soluções.
Discernir o “meu desejo” é desmascarar o desejo dos outros em nós.
Não podemos confundir desejo, com desejo de viajar. O desejo é de outra ordem, é algo mais complexo que já sentimos, mas que foi censurado e reprimido. Onde há medo, há desejo. O desejo é o desejo do Outro. Desde a infância, aprendemos a desejar aquilo que achamos que vai nos fazer amados pelos nossos pais, pela cultura, pela sociedade.
Sustentar essa falta, deslocar, sublimar, investir essa pulsão em outros destinos em outras desembocaduras, é o que a análise faz.
A ideia é se implicar, você quer o que deseja?
Por Loiri Trento