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Os efeitos da pandemia

Os efeitos da pandemia

Um dos efeitos que observei na clínica diante da pandemia é como o sujeito se confronta com ele mesmo em meio às restrições e confinamento. Sendo assim, pensei em como o pânico tem acometido alguns de forma muito dura, pois tem um excesso do Real em jogo, ou seja, o sujeito sofre de um desamparo simbólico e encontra dificuldades para fazer articulação através de uma história contada ou, uma metáfora, e quando a palavra falta, o corpo passa a falar mais alto.

Isto pode ter um efeito muito violento, a pessoa descreve a sensação de estar perdida, sem cuidado, sem proteção. No entanto, tem algo a considerar aí, estamos passando por um tempo muito difícil e lidar com a contingência diariamente de forma tão potencializada pode ser bem exaustivo e assustador.

Freud (1895) postulou sua primeira explicação do ataque de pânico no campo da psicopatologia como neuroses de angústia e apresentou um quadro caracterizado como uma descarga de excitação sexual acumulada, na seguinte conjunção de sintomas: dispneia nervosa que se assemelha a asma e falta de ar, palpitação, vertigem, transtornos gastrointestinais, anestesias das mãos, como se perdesse a sensibilidade, uma angústia desconhecida e avassaladora que, normalmente é confundida com doenças graves. No entanto, Freud revê seus estudos, mas sem deixar de considerar a inscrição no corpo e acrescentou a angústia no registro da vida psíquica, sendo assim, a teoria das pulsões se destacou, os estímulos e excitações que psiquicamente não são elaborados são sentidos pelo sujeito como um ataque, um perigo e uma ameaça. Ao apontar isso, também considerou que, além da angústia pulsional, o desamparo também é uma experiência estruturante, desde as separações primárias da infância até em situações diversas em que a pessoa sente-se sem amparo e privado de ajuda.

Desta forma, dá para pensar que o sujeito se defende de um perigo, já que sozinho não consegue e não tem condições e recursos necessários para ajudar a si próprio.

Por vezes, as pessoas tomam medidas restritivas porque têm muito medo de passar pela experiência de ataque de pânico novamente e se fecham no objeto, se esquivam, se recolhem, buscam soluções para lidar com este mal-estar severo.

Contudo, existe uma possibilidade de tratamento que é através da escuta e da palavra. O percurso tem efeitos interessantes para quem está em sofrimento, já que possibilita à formulação e a abertura do discurso para que o sujeito possa analisar, escutar e falar sobre o que acontece consigo, considerando a forma singular de se relacionar com os afetos, sentimentos e emoções, as interpretações que faz sobre a vida, enfim, um caminho possível que afeta e causa ressonância e articulação.

Luana Borsatto (CRP 08/22268)

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Sou psicóloga e psicanalista, graduada em Psicologia pela Universidade Positivo (2015). Minha atuação profissional se dá nos seguintes temas: Clínica psicanalítica: ansiedade, depressão, traumas, timidez, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia e outras psicoses, transtornos do desenvolvimento, autismo. Psicanálise e educação: psicose, autismo, dificuldades de aprendizagem.

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