Numa psicanálise, descobre-se que a vida adulta é sempre menos adulta do que parece. Ela é pilotada por restos e rastros da infância.”
— Contardo Calligaris
A infância não é um capítulo encerrado ou um lugar fixo no passado. É um terreno que se pisa o tempo todo, mesmo sem que se perceba. Um tempo em que os significantes se organizaram e, de forma insistente, retornam, trazendo consigo os silêncios, as letras que se tornaram marcas no corpo e as memórias, sejam elas doces ou dolorosas, que permanecem a habitar a vida de cada um.
O que foi vivido na infância não se limita a um período cronológico, angústias, conflitos não resolvidos e dores infantis persistem no inconsciente, atualizando-se em cada etapa da vida. São repetições que, muitas vezes, só ganham significado quando se olha para trás e se percebe o que ficou perdido, tentando se inscrever.
A família é um campo de transmissão e também pode ser de mal-estar. É ali que se tecem os fios das histórias, com seus enlaces e suas lacunas. O que não foi dito, o que não foi elaborado, retorna no corpo e na linguagem, como um eco que ressoa nas escolhas.
Este é um tema que atravessa a prática e escuta clínica da psicanalista Letícia Pinto, que se dedica a escutar e saber dos efeitos psíquicos dessa experiência tão particular, que é a constituição do sujeito do inconsciente.
A análise pode abrir espaço para a escuta dessas repetições e para o caminho de elaboração do que insiste.
Uma escuta qualificada pode ser um primeiro lugar para que essa experiência encontre palavra.
Se algo insiste em se repetir no seu contexto de vida, talvez seja um convite à escuta.
Atendimentos online e presenciais
Por Letícia Vieira