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Solidão ou Solitude?

Solidão ou Solitude?

Atualmente a sociedade contemporânea marcada pelo consumo tem a ideia de que “tempo é
dinheiro” e se precipita ao confundir e tentar evitar o isolamento e o tempo consigo mesmo,
por relacionar a mesma com depressão, estresse, enxaqueca, antipatia, timidez, entre outros
diagnósticos.

O tempo sozinho toma assim características de algo errado, com a ideia de que um sujeito
sozinho é infeliz, pois não é capaz de se relacionar com seus semelhantes e nem de manter
suas relações. Muitas vezes isso gera irritação com a presença dos outros, revertido no fim da
história com a incerteza pela falta de intimidade do que se passa em seu interior, seus
sentimentos e desejos.

Claro, existem diferenças entre um isolamento que é uma experiência simbólica, escolhida e
que faz separação com relação aos outros, trazendo também a distância e o estranhamento de
si mesmo, a reinvenção e a possibilidade de se escutar interiormente, do isolamento
provocado por ressentimento
, exclusão social, segregação ou preconceito. Como quando
ocorre com o sujeito isolado, mas que na verdade está oprimido pelas falas, presenças e
experiências das quais ele não consegue se separar subjetivamente.

Quando ocupamos todos seus vazios da vida, normalmente bloqueamos também a
possibilidade de escuta de si mesmo
. O isolamento precisa do vazio e de certo silêncio,
marcado por um tempo atemporal e uma intimidade que se consegue somente sozinho. Mas
como encontrar este espaço, quando todas as horas são ativamente preenchidas com
qualquer coisa e o espaço para si fica cada vez mais curto e barulhento? Cheio de coisas a se
fazer, obrigações a serem cumpridas, cada vez mais a pressa transforma objetivamente os
momentos, resultando em uma sensação de vida artificial e sem sentido.

É preciso adentrar em cavernas, labirintos, carregando consigo um isolamento contemplativo e
o tempo infinito de espera, de construção de uma subjetividade saudável, onde, talvez,
ganhem lugar os fundamentos de uma consciência poética libertadora do tempo funcional e
extremamente prático, preocupado em consultar, aflito, ao tempo quanto tempo o tempo o
tem. Nesse quesito o adulto precisa reaprender com as crianças que invertem a utilidade das
coisas no seu brincar. Maravilhosa subversão usar a gaiola do deus Cronos como brinquedo de
Kairós, o deus do tempo da vida.

Desta forma é interessante propiciar um tempo de qualidade e permitir o desconhecido que
habita em cada um emergir com suas transformações, reinvenções e anseios para que se
possa fazer o que quiser, ou não precisar fazer nada.
É preciso paciência e muitas vezes um
longo tempo de análise para limpar os resquícios de crenças e inibições para então desfrutar
de uma vida plena
, contornando seus vazios e faltas, inerentes ao ser humano e através disso,
criar.

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