Lacan cita, no Seminário 8, a rainha Margarida de Navarra, autora de Heptaméron, uma coleção de 72 novelas breves: “Ela só queria cavaleiros, senhores, personagens que, ao falar de amor, falassem de alguma coisa que tivessem tido tempo de viver.”

Chamou-me a atenção a expressão “que tivessem tido tempo de viver”. É curioso como, para trabalhar mais, sempre arrumamos tempo para dois empregos, sem falar nos autônomos que trabalham nos bastidores, fora do horário comercial, com planejamentos e estudos.

Margarida fala sobre ter tido tempo para o amor. Amor é diferente de paixão; não é aquela coisa avassaladora. Para amar alguém, é preciso conviver, passar horas, dias e meses conversando, com interesse em saber mais sobre o outro.

Isso interessa a você? Dedicar horas, dias e meses para se aproximar de uma pessoa e escutá-la? Você se sente atraído pela ideia de trabalhar menos horas para, então, ter tempo de viver o amor?

Essa é uma boa pergunta em tempos de “correria”.

por Letícia Caneiro

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