O tempo da análise não é cronológico. Há sessões que parecem durar uma eternidade em segundos, e outras que cabem inteiras em um silêncio. Freud nos lembra que o inconsciente é atemporal: nele, passado e presente se encontram, repetem-se, insistem. Lacan acrescenta que a experiência analítica se orienta por um tempo lógico, e não pelo relógio: a sessão pode se encerrar quando se produz o momento de precipitação, aquele instante em que algo do sujeito se desvela.
Os efeitos da análise também têm o seu próprio ritmo. Uma palavra ouvida hoje pode germinar apenas semanas depois; uma lembrança pode encontrar seu sentido muito tempo após ser dita. Como ensina Lacan, os efeitos de verdade são retroativos — só depois percebemos o alcance do que foi dito. A análise nos ensina a habitar esse compasso próprio do desejo, que não se submete à pressa do mundo.
Por Evelyn Magalde