Afinal, de que forma seguiremos sustentando a psicanálise (desde Freud e com Lacan) no mundo?

Quando faço essa pergunta, me abre logo um leque, inclusive, já em uso, de opções.

Psicanálise, hoje um significante utilizado das mais diversas, inusitadas (e também adulteradas) maneiras.

Considerando a nova época, com sua gama de possibilidades, por que vias se faz eticamente possível a sustentação de uma transmissão?

Dentro das Escolas de psicanálise, nas universidades, promovendo cursos pelas redes sociais ou fora delas?

Afinal, como seguirmos na sustentação de uma transmissão para nomearmos ética?

Aliás, ética é um assunto que ainda tem pauta, diante de um cenário com tantas apostas?

Não sei se estou conseguindo ler o que se passa e vem sendo veiculado pelas redes sociais.

Mas, algumas vezes, me dá a impressão de que um certo vale-tudo tem estado altamente em voga.

O passar do tempo e a entrada do novo (e das novas subjetividades), nos convocam a re-arranjos. E será sempre assim, se não quisermos sucumbir diante das diferenças de uma época.

Porém, considerando os re-arranjos, como seguir sem perder de vista o rigor e o que existe de mais artesanal (tempo, corte, tempo, sutura, tempo, tempo, tempo), caro e inegociável na psicanálise?

De que maneira não ceder ao imperativo das novas lógicas (de mercado e do próprio capital) sem parecer obsoleto ou ultrapassado?

Enfim, esse escrito é apenas, um desabafo, sem qualquer intenção ou possibilidade de resposta.

E o pior é que fico sem resposta, mas também sem vislumbrar um fio de onde elas poderiam emergir.

E, esse fio é o que me parece urgente.

Tenho topado com fios, sim. Vários.

Todavia, os percebo desencapados e sujeitos à curto-circuitos.

Seguimos tentando!

Por Beatrice do Valle

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