Você já sentiu um sofrimento que persiste? Uma dúvida que te angustia? Ou ainda, uma incerteza que te paralisa? Essas são sensações intensas, que a primeira vista podem parecer existir por si só e serem independentes. Mas se relacionam e, por isso mesmo, precisam ser pensadas em conjunto.

Talvez você tenha se deparado com esse sofrimento insistente, que parece não ir embora e que te acompanha em vários momentos. Ele pode se apresentar de diferentes maneiras, às vezes com sintomas depressivos. A dor de perder alguém querido, a frustração no trabalho que dá errado, a decepção amorosa quando um relacionamento acaba ou não dá certo, o ressentimento com a família na qual você não se sente parte, e tantas outras formas de sofrer. Mas o que fazer com o sofrimento? Como lidar com a depressão?

É comum também uma sensação de angústia e ansiedade. Ela se relaciona com questionamentos que podem, às vezes, ocupar os teus pensamentos (sem te dar folga!). Será que sou assim? O que posso ter feito de errado? Como vou agir em certa ocasião? Por que tal pessoa falou tal coisa? O que tenho que fazer para ser daquela maneira? Quem eu sou com o outro e comigo mesmo? Surge, assim, um cansaço constante, de tanto pensar nessas perguntas e de tanto sentir essa angústia. Pode começar a ficar difícil de trabalhar, de se relacionar e de fazer o que você quer quando essas perguntas te deixam ansioso cotidianamente. Mas antes de pensar, como trabalhar ansioso, ou como se relacionar ansioso, é preciso pensar: por que a ansiedade?

Além disso, acontece de as incertezas diante dessas questões serem paralisantes: uma indecisão que parece não ter fim e que não te leva a lugar nenhum. Na dúvida, você acaba permanecendo no mesmo lugar, mesmo com insatisfação e infelicidade. Entre fazer X ou Y, ser da maneira Z ou W, qual a sua maneira de ser? O que você quer fazer? Como vai agir? Não é só o cansaço, é o arrependimento que vem depois, independente da escolha ou da atitude. Você se sente culpado, e aí acaba pensando mais ainda em o que poderia ter feito de diferente.

Mas afinal, o que fazer com tudo isso?

A oferta da psicanálise diante do sofrimento, da dúvida e da incerteza é poder falar e percorrer a relação entre eles. Assim, a partir da fala, poder pensar a si mesmo, pensando qual é o vínculo entre tudo isso. Não por uma identificação com o que é certo, ou norma, ou pelo o que o outro acha que você deve fazer. Mas sim a partir do que você irá achar para si e como irá se haver com isso. Poder se escutar e se encontrar permite esboçar um caminho em direção à atividade do pensar e do desejar. A conexão entre o sofrimento, a dúvida e a incerteza apontam para o seu querer que está encoberto. Por isso, em uma análise, o desejo é a saída, a abertura para o futuro, para um projeto. É um convite: investigar o sofrimento para encontrar o desejo. E isso é libertador!

Por Marlon Polak

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